Pareço raso pra quem não mergulha.
Eu começava a ficar deprimido. Minha vida não estava indo para lugar algum. Precisava de alguma coisa, o brilho das luzes, glamour, alguma porra. E ali estava eu, conversando com os mortos.
Alguns laços nunca são cortados e outros se desmancham sozinhos. Há o que perdura, atravessa o tempo e a tempestade, entretanto, há o que se deixa levar pelo primeiro vento. Assim, a nossa vida passa a descobrir formas bonitas de viver enlaçada em outras vidas, e formas enfeitadas, que somem assim que passa a festividade conveniente.
Eu sei que sou uma pessoa difícil e que me suportar é uma missão quase impossível. E não vou me importar se você quiser tirar férias de mim, se eu pudesse, faria isso também. Mas é que eu tenho essa necessidade de estar perto, de querer atenção e receber afetos a todo momento.
Em outra vida, em outra época, eu a teria beijado em seguida, mas, ainda que o quisesse, não o fiz. Em vez disso, apenas olhei nos olhos dela.
Para toda angustiante interrogação, existe uma inesperada exclamação. Para toda vírgula que não te deixa ir adiante, existe um ponto final. Para toda reticência que dói para sempre, existe um novo parágrafo.
Sei lá, é que as vezes é bom ter alguém pra conversar, alguém que te faça ir dormir sorrindo.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
prazenteiro:
Por fora concreto
Por dentro vidro trincado.